Principais Fatos · 2026-09-27
- Na União Europeia o protetor solar é cosmético: a Regulamentação (CE) 1223/2009 e o Anexo VI definem o limite máximo de cada filtro solar na fórmula.
- O fator de proteção solar é medido na UE pelas normas ISO 24444 (in vivo) e ISO 24442 (in vitro), e o nível de proteção UVA precisa ser de pelo menos um terço do SPF declarado.
- Nos Estados Unidos o protetor solar é medicamento de venda livre: a regulação 21 CFR 352 e o OTC Monograph governam os rótulos de broad spectrum e de SPF.
- Na Austrália e na Nova Zelândia o protetor solar é bem terapêutico registrado pela TGA, com listagem no ARTG e inserção de AusAUST L — não é cosmético comum.
- A TGA abriu consulta pública sobre rotulagem de protetor solar em 26 de março de 2026, propondo método in vitro (ISO 23675) e três opções de rótulo de SPF.
- Um relatório de fiscalização na Austrália auditou 20 protetores solares e identificou 16 fora dos requisitos de rotulagem e formulação.
- Na fabricação sob encomenda, o MOQ de um SKU de protetor solar costuma ficar entre 3.000 e 5.000 unidades, muito acima de um sérum ou de um hidratante.
Antes da regulação estrangeira: o que a Anvisa exige no Brasil
O importador brasileiro não pode começar pela Europa. O protetor solar entra no país como cosmético de finalidade de proteção solar, com cadastro na Anvisa e rotulagem em português, ingredientes declarados na nomenclatura INCI e a frase de advertência exigida para produtos solares. Esses requisitos são independentes de qualquer aprovação estrangeira.
Na prática, a Anvisa cobra do responsável técnico a consonância entre a fórmula fabricada e a rotulagem aprovada. Quando a mesma fórmula é encomendada a uma fábrica chinesa para atender ao mercado dos EUA, o mesmo arquivo regulatório precisa ser revisitado: o que vale como prova no exterior pode não fechar o processo no Brasil, e o custo de revisão recai sobre quem importa.
União Europeia: cosmético com limite de filtro no Anexo VI
A União Europeia trata protetor solar como cosmético, regido pela Regulamentação (CE) 1223/2009. O Anexo VI dessa regulamentação é a lista nacional de filtros permitidos, com a concentração máxima de cada substância ativa. Uma fórmula aprovada nos EUA pode simplesmente não ter os filtros que a lei europeia admite naquele percentual.
A consequência prática é que aeuropa não valida o teste feito em outro continente. Se a sua fábrica mediu o SPF só contra a monografia norte-americana, o arquivo europeu vai pedir ensaio adicional — e é exatamente esse ensaio extra que empurra a quantidade mínima de pedido para cima.
- Limites de filtros químicos e minerais definidos no Anexo VI do regulamento europeu.
- Ensaios de SPF conduzidos segundo a ISO 24444, em método in vivo, quando aplicável.
- Ensaios de SPF in vitro conforme a ISO 24442 para produtos com finalidade específica.
- Nível de proteção UVA de no mínimo um terço do SPF declarado, com ensaio próprio.
- Alegações de resistência à água e de uso em praia e esporte precisam de protocolo de teste dedicado.
Estados Unidos: medicamento OTC, broad spectrum e teto de SPF
Nos Estados Unidos o protetor solar sai do grupo dos cosméticos e entra no dos medicamentos. A regulação 21 CFR 352 e o OTC Monograph de protetores solares definem o que pode ser alegado e como o rótulo deve ser montado. Isso é o que torna a expressão broad spectrum, espectro amplo, uma exigência técnico-regulatória e não um slogan de marketing.
O controle de espectro amplo é feito contra uma curva de absorção criticamente alta, e não contra a simples presença de filtros. A proposta de monografia em discussão trava o valor máximo de SPF rotulável em 50+. Enquanto isso, a rotulagem norte-americana continua exigindo a indicação de que o produto deve ser reaplicado em intervalos regulares e após nadar ou suar.
Austrália e Nova Zelândia: bem terapêutico, TGA e ARTG
Aqui a regra muda de categoria. Na Austrália e na Nova Zelândia, o protetor solar é bem terapêutico regulado pela TGA, com inserção na base Australian Register of Therapeutic Goods (ARTG) e acompanhamento de um AusAUST L. Ele não é vendido como cosmético decorativo, mesmo que a embalagem pareça a de um cosmético comum.
A norma de produto é a AS/NZS 2604, que classifica os protetores solares em níveis de proteção e exige rotulagem de uso. Além disso, a TGA abriu em 26 de março de 2026 uma consulta pública sobre rotulagem de fator de proteção solar, propondo adotar método in vitro segundo a ISO 23675, definir três opções de rótulo e reconhecer laboratórios de ensaio. A direção é clara: menos subjetividade e mais rastreabilidade de laboratório.
O que isso custa: por que o MOQ do protetor solar é tão alto
Testar protetor solar não é barato e não é opcional. Cada mercado pede método de ensaio próprio, e cada ensaio-consumo de reagentes, tempo de laboratório e um lote de amostra que precisa ser produzido. É por isso que o MOQ de um SKU de protetor solar na fabricação sob encomenda costuma ficar entre 3.000 e 5.000 unidades, contra 1.000 a 2.000 de um hidratante ou de um sérum.
Na comparação com o Brasil, esse custo por unidade importada tende a subir por impostos de importação, câmbio e logística. A dívida prática é converter o MOQ em um número que faça sentido em reais por unidade antes de fechar a cotação, porque 3.000 unidades de um fluido podem pesar muito mais que 3.000 unidades de um creme.
- Ensaio de SPF in vivo ou in vitro por mercado, com relatório de laboratório reputado.
- Ensaio de proteção UVA separado da declaração de SPF.
- Estudos de compatibilidade de embalagem e de estabilidade com filtros sensíveis a calor e luz.
- Custos de formulação e de escalonamento que são amortizados só em lotes maiores.
- Frete e armazenamento: filtros e emulsionantes exigem cadeia refrigerada em várias operações.
Como encerrar a conformidade de quem importa
O caminho mais curto para quem está entre o Brasil e a Ásia é tratar a regulamentação como uma etapa de planejamento de lote, e não como um departamento de aprovação de rótulo. Veja o que precisar existir antes da primeira ordem de compra.
No cenário brasileiro, esse checklist tende a reduzir retrabalho. Cada ensaio dispensado ou duplicado porque a fórmula mudou no meio do caminho custa semanas e um lote inteiro de amostra. Mapear os mercados antes de fechar a ordem de compra é a decisão que mais economiza, e a que exige menos retrabalho de layout depois.
- Mapear todos os mercados de destino e o enquadramento de cada SKU: cosmético, medicamento OTC ou bem terapêutico.
- Confirmar com a fábrica quais ensaios já existem por mercado e quais precisam ser contratados separadamente.
- Pedir a lista de filtros usados na fórmula e conferir cada um contra o Anexo VI europeu e a monografia norte-americana.
- Solicitar o relatório de estabilidade e de compatibilidade de embalagem antes de definir o prazo de validade e o PAO.
- Tratar o cadastro na Anvisa como linha de produção paralela: rótulo em português, INCI e advertência revisados juntos.
- Negociar o MOQ por SKU e não por marca inteira, agrupando embalagem para reduzir o custo fixo de teste.
Testar fator de proteção solar não é uma etapa de marketing: é o que decide se a fórmula pode ser vendida em cada mercado — e quanto de estoque você precisa comprar para provar isso.
Frequently Asked Questions
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